A canção de Yagar

Arista Plástico, Ilustrador e Bacharel em Filosofia | www.errado.net


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O cheiro de sangue e cerveja enchiam o ar,
Para Yagar a mistura era um perfume.
Os gritos e gemidos dos feridos ecoavam pelo bar,
Para Yagar eram a canção de costume.
O aço rodava na sua mão, assobiando,
Como a saia de uma dançarina, girando.

O primeiro foi lerdo, o segundo foi estúpido,
Para Yagar a matemática era um mistério.
O terceiro já não respira, o quarto já está pútrido,
Para Yagar toda conta termina num cemitério.
O aço tinha sede de sangue, derramando,
Como o demônio em Yagar, queimando.

O taverneiro correu para chamar a guarda,
Para Yagar a canção só estava começando.
Mas a garçonete implorou: “abaixe sua bastarda,
Vá Yagar, pois a guarda já está chegando!”
O aço cedeu ao capricho da jovem, embainhando,
Mas Yagar voltaria, pois a bela ele estava amando.