“Célebro”

Arista Plástico, Ilustrador e Bacharel em Filosofia | www.errado.net


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Se eu pudesse, refaria a nossa linguagem. Escreveria “cérebro” com um “L” mesmo. Célebro! E justificaria etimologicamente, afirmando que a palavra “célebre” compartilha da mesma raiz de “célebro”. Haveria então um novo conceito na compreensão do termo “celebridade”, não bastaria estar diante de câmeras ocultas no confinamento de uma casa. Para ser famoso teria que possuir também uma bela massa cinzenta.

Intelectuais, cientistas e ganhadores do Nobel teriam suas mãos registradas em calçadas da fama. Adolescentes teriam posters de Einstein atrás das portas de seus quartos. E Hollywood faturaria milhões com adaptações cinematográficas das biografias de filósofos da antiguidade e da modernidade. A vida e o trabalho de Stephen Hawking seriam narrados por uma escritora inglesa para o público infantil. Nas paradas dos rádios teríamos releituras dos grandes clássicos, como Bach e Schubert, quer arrancariam aplausos desenfreados de suas fãs, que também inundariam o twitter com suas hashtags apaixonadas.

Mas hoje, o que ganho por usar o “L” no lugar errado é a “memeficação” de minha estupidez, feita por aqueles mais atentos, que expõem minha dislexia nas redes sociais, acrescentando uma preconceituosa frase: Volta pro Orkut!