Crônica de uma ansiedade eterna

Jornalista, cronista e blogueiro





capa_curiosidades_vinho_do_porto_cultugaEu sou uma pessoa ansiosa. Mas muito, exageradamente. Se você me disse que vai chegar às 14h e chegar às 14h10min, eu sofrerei por 10 minutos, não importa quem você seja, não importa o quão importante era o encontro. Essa crônica que você está lendo é na verdade um exercício. O exercício de uma pessoa extremamente ansiosa a beira da loucura. Escrever me ajuda, quando tenho um pouco de concentração.

O autor estava acomodado. Vivendo uma vida tranquila, rotineira, sob controle. Isso, em tese, faz bem para uma pessoa ansiosa. Acordar já sabendo o que fará durante o dia, sem grandes novidades, uma rotina clássica, aconchegante, com trabalho de dia, um pouco de lazer à noite e nos finais de semana. Pouco dinheiro, mas também poucos gastos.

Mas quem disse que eu aceitei isso numa boa? O sinônimo de rotina é tédio. Decidi brincar com a própria sorte e arriscar o inusitado. Virar tudo de cabeça para baixo. Arrisquei só por brincadeira, para sair daquela vida pacata que levava, ou ao menos projetar algo diferente no horizonte.

E deu certo. Ou melhor, em tese deu. Porque o processo não foi 100% concluído. Ainda não tenho 100% de certeza se a minha vida vai virar 360 graus. A resposta deverá vir nas próximas duas semanas. E partir daí terei de 3 a 15 dias para resolver tudo antes de virar de cabeça para baixo. Organização? Nenhuma! Check-list? O que é isso? Eu sou um agente do caos, eu produzo na desordem, na bagunça…

Para um ansioso, 10 minutos é uma eternidade. Em 10 minutos eu vejo o mundo inteiro passando a minha frente três vezes. Agora com duas semanas eu não sei mais o que é. O ansioso vive do futuro e por isso sofre por antecipação. Ele vive com a cabeça no amanhã, pensando mil coisas que pretende fazer nos próximos dias, semanas, meses, mesmo que na hora esqueça tudo e faça algo inesperado. Para alguém assim é uma tortura não poder ficar “planejando” porque não sabe para onde vai amanhã.

É preciso uma distração ou um drink. Uma IPA faria bem agora ou uma taça de vinho. Um cabernet em uma tarde fria com ventos a beira-mar, caminhando sozinho na praia sem pensar em nada, buscando inspirações para novas crônicas…talvez mais taças de vinho me levem para esse mundo, ou melhor, me afastem dele, pois a ressaca seria grande e há muito o que fazer.

Nervoso, ansioso, contando as horas, não posso adiantar o tempo, até porque, adiantar seria perder algo que é muito precioso para mim. Preciso de calma, preciso relaxar….