DUAS CANÇÕES AO SUICÍDA

Jornalista


DUAS CANÇÕES AO SUICÍDA

Ontem, quando abri a janela
Senti uma brisa que me trazia o perfume seu

Olhei para os lados, na esperança de te encontrar
Ligeiros, meus olhos rasgaram todos os espaços
Hesitando por vezes em achar que via você
Olhei, mas não estava lá
Senti seu perfume, minha espinha congelou

Senti medo
Esperei a hora de sair
Um passo atrás do outro
Senti medo

Pensava comigo mesmo, se
Existia motivo para aquilo
Não achei respostas
Esqueci-me de todo o resto
Tentei fugir da realidade
Rodei a cidade
Ainda mais perdido que de manhã
Riram de mim
Atiraram pedras
Me embebedei

Esqueci-me do que era proibido!
Me apaixonei por você!

Mas nesta cidade de
Incólumes doentios,
Não se pode amar!
Hilária e paradoxal
A ironia da vida

Assim mesmo quis correr
Levei comigo as saudades
Mais nada. Queria…
Apenas te encontrar

Respirei quando descobri
Ainda não havia corrido em todos os cantos
Senti seu perfume de novo
Gritei por você, meu coração clamou seu nome
As aves cantaram, a cidade calou-se
Ri quando ouvi um som
Alguma coisa vindo de longe, Que tortura!
Magnífica a tua voz… Tua Voz… que dor sinto…

Outra vez fugi

Queria achar-te e dizer
Um poema,
Esquecia-me rápido das coisas

Assim esqueci cada verso do poema
Instante por instante se passava
Não podia demorar
Demorei e então
Apenas com poucas palavras

Não há resumo
A complexidade
O coração sobrecarrega

Há vários dias não trabalho
Aumentando,
Vejo as paginas se tornarem infinitas
Ignoro os versos e as rimas
Apenas escrevo o que penso, penso o que sinto

Senti uma chance
Outra vez, não te vi,
Fiquei feliz…
Reino em meu coração
Indiferente de tudo
Dou a ele a semente da lei
O nome de amor

Corro, mas para qual o lugar
Onde você está
Nunca chega
Grito por você
Esqueço a cada momento
Linhas preciosas
Esqueço de tudo
Ia, no tempo certo, publicar esta poesia…

As vezes sinto um arrepio arrepio
Sou o Chef, onde está a refeição

De repente, estou no lugar errado
O caminho errado?
Ruas! São todas iguais
Esquinas! São todas iguais
Só queria um trago de uma boa cachaça,

Oh! Tudo esvai com minhas lembranças

Corro mais e mais
Ofegante
Respiro
Apresso-me
Canso-me
A, como odeio me sentir assim
Ouço tua voz… tua voz!

Pensei que estava…
…ao meu lado
Rio de felicidade
Olho para traz, … Coisa “Incrível”
… uma floresta

Avisei que iria me esquecer

Agora falta pouco,
Lembro-me a todo custo
Mas restavam apenas
Algumas horas

Gritei como nunca
Então me chamou de burro
Linda e meiga estava você
Olhei e por um instante … congelei,
Um sorriso seu eu vi…

Dei passos lentos até ti
Onde estava?
Esqueci-me de tudo, só tinha olhos para o nada e…
…Uma criatura bela

Teus cabelos
Umedecidos pela garoa
Derrubados, soltos
Ombros nus, me encantam ainda mais

Pedi
E por um escutou
Ri teu sorriso lindo,
Gelou-me o coração
Um medo de ser eu
Não me tocar você
Tentei falar,
Esqueci o que diria
Ia, apenas ia!

De repente, foges
Esguia-se entre as árvores
Salta, como uma ninfa
Eu,
Sinto seu perfume,
Posso sentir você
Enxugo meu suor
Runas encantadas
Assim leio sua alma
Defino-me como um louco
O resto… não existe

Olho para trás

Quero saber
Um lugar conhecido?
Encontro-me perdido

Apenas eu.
Carrego o peito doído
Outrora tivesse me dado
Não
Tento não esquecer
Eu quero
Com as palavras mais sabias
Iria, mesmo assim, esquece-la
Agora… sumiu de novo

Desci um pequeno barranco
Imaginava…
Seguia meu coração
Seguia seu perfume
Escorava entre as arvores e atravessava
Rios de águas fétidas
Algumas flores quis levar
Mas, não levei

Me senti roubando
Eu me traí por você

Quis aparecer
Uma vez
Era Possível?

Era uma chance
Rainha de quem?
Amor de ilusão

Pediria
A sua alma
Iria devorá-la com tanta paixão, tirar-lhe-ia o
Xale que encobre seu lindo rosto
A mataria tudo o que sentes, mas
Onde estava então que não ali…

Deixei a noite cair
Um lugar
Vi algo ao longe
Iria desistir
Desisti
Encontrei a morte
Incomparavelmente linda

Deu um passo
Estava na minha frente

Única
Magnífica

Ali,
Me sorriu
Olhou-me
Respirou suave…

Quis mais
Uma vez, feito
Estátua, parado, apenas morri

Fiquei,
Agonizei uma morte eterna,
Zelo grandioso

Senti seu perfume
Outra vez,
Fraquejei
Ri
Esperei
Ruí

Lembrei-me de pouco
Um pouco que não era suficiente
Tentei
E,
Indiferente fiquei

Cai de joelhos
Olhei para o chão
Não suportei
Tentei
Ruim, me quebrei
Algo morreu junto

Maltratei-me
Ainda mais
Senti medo de novo

Pedi por ajuda
Era pouco que pedia
Ri e chorei
Desesperado lutei
Indiferente com o que esquecia

Antes não tivesse aberto aquela janela

Levei meus olhos aos seus
Um brilho tão simples
Tentei absorve-lo,
Antes que escapassem

Veio até mim,
Indiferente com o que eu esqueci
Afagou-me as lagrimas

Tive vontade de abraçar
Olhei nos seus olhos,
Deveria ter dito
Olhei seu rosto
Senti que a perdia

Ontem não acordei
Sabia que havia morrido

Depois que te vi,
Imagino, morri!
Afastado
Sem vida!

Tentei
Esqueci-me
Uma palavra não saiu
Senti-me um tolo

Olhei
Linda
Hoje e sempre
Olhei
Simples

Vim de longe para te encontrar
Inevitavelmente te encontrei
Aniquilou-me

Tentei te matar
O mundo
Deu-me você
O mundo me fez morrer
Segurou minha mão, e matou-me

O mundo daqui
Só você sabe onde fica

Depois não te vi
Imagino
Afastado
Sem vida, morri

Tentei
Esqueci-me
Uni-me ao esquecimento

Senti medo
Olhei para você
Ri
Ri
Indiferente do que esquecia
Senti teu calor
Outrora senti teu perfume

Me levanto
Estou pronto

Abro a boca
Paro
Alguma sai de minha boca
Incrível
Xavier
O que consigo dizer!?
Não é o suficiente
Está ali
Incomparável

Meu corpo estremece
Ignoro
Não
Hoje não
Agora não

Acabe logo com isso
Leio em teus olhos
Mata-me a cada momento
Arranca-me aos poucos minha alma

Repeti o erro
A alma,
Sem cuidados a perdi
Gelo minha espinha
Olho para você e perco a fé
Urro de raiva

Satirizo os últimos versos
Esqueci-me dos primeiros

Sem piedade chego ao fim
Irei sumir
Manipulou-me para a destruição

“a flor outrora nasceu, outrora morreu, outrora não existe mais”

De meu lado
Outra vez
Ri

Feliz
Olho para você
Impedido de falar, imagino

Impossível
Não deve durar nem mais que um minuto
Sinto como se fosse uma eternidade
Uma hora acaba
Por toda a vida
Ou para todo o sempre
Ri Sem parar
Toca minha pele
Armar seu golpe
Vejo em seus olhos
Estou acabado
Lentamente, desapareço

Me abaixo,
Abaixo ainda mais
Sem pressa

Rio
Agora nem rio mais
Sinto um último fio
Grito minha alma…
Outrora minha alma
Uma só linha

Senti uma só linha
Explodindo

Parei
À beira do rio
Ri
Ainda há um pouco

Tão belo o rio
E tão bela você

Com que memória?
O que ainda ocorre?
Levo as mãos ao rosto
Olho para o rio
Começo a chorar
Atiro-me
Río

De todo o silêncio da floresta
Escutamos o silêncio
Mão olho
Trágico
Rio?
Ouço?

Duvido!
Ouço o silencio

Minha alma morreu
Eu não existo mais
Um pedaço meu, nada

Corroí-me
Outrora morri
Ruas sem casas,
Árvores sem vida,
Cheiro sem perfume por toda parte
A cada espaço, em cada lugar… Um lugar vazio
Onde é que eu estou… Não sei mesmo quem eu sou!

Trintim