Ensaio sobre o bolão

Jornalista, cronista e blogueiro


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A Sociedade Fortaleza-Tribess, o antigo Salão Tribess, é um dos ícones da Fortaleza. Todo mundo já ouviu falar, todo mundo já fez piada no bairro, mas poucos se encorajaram a entrar lá. Foi nesse peculiar clube, o mesmo que o governador iniciou sua caminhada para a eleição, que eu tive o meu primeiro contato com o bolão. Conto nesta crônica, minha breve carreira como atleta bolonista.

Eu tinha nove anos de idade e acompanhei os meus pais, que disputariam um campeonato de Bolão 23. O que é o bolão? Foi essa a pergunta que fiz há 22 anos. Um boliche de alemão? Um boliche hipster? Não sabia explicar, não conseguia entender.

O bolão é um boliche com uma bola bem mais pesada, tem um pino a menos e não tem aqueles pontos extras no strike. Por que? Não sei. Mas para uma criança de nove anos, a bola é bem pesada mesmo, tinha dificuldade até de carregar a bola. Ainda sim, topei o desafio e iniciei minha carreira. Sobre os olhares atentos dos fortalezenses, entrei na pista e disparei a bola com uma velocidade de um metro por hora. Derrubei dois pinos, um recorde na minha carreira.

A segunda e a terceira jogada foram em vão. Parecia o ataque do Vasco, não conseguia acertar nada. Tomei então, a decisão de abandonar o glorioso esporte.

Mas quem diabos inventou o bolão? Quem veio primeiro, o bolão ou o boliche? Em que momento da história alguém pensou “essa bolinha aí é muito levinha, vamos fazer um jogo mais roots”? Teriam sido os bárbaros germanos os criadores desse jogo? Os vikings?

Perguntei para o Google e ele me disse que o esporte é de origem alemã e possui mais de 3,5 mil anos. É sim coisa de bárbaros. O jogo é comum também em outros países da Europa, no Texas e chegou a ser proibido em algumas épocas. Já pensou isso? O senhor está preso por práticas bolonistas e vai ficar dois anos na cadeia. Ou então, o senhor é acusado de trágico de bolas de bolão 16 e 23. Apostas ilegais no bolão movimentavam milhões de dólares…

Aqueles dois pinos que eu derrubei há 22 anos foram os únicos na minha rápida carreira no bolão. Anos depois, eu trai o movimento bolonista e passei para o boliche, coisa de americano, muito mainstream. Nem mesmo os torneios de bolão nos Jogos Abertos, eu acompanhei. No máximo, sugeri a inclusão do esporte nas Olimpíadas do Rio.

Afastado há duas décadas, o bolão ainda me intriga. Bolão, bocha e punhobol formam a tríade dos esportes inusitados, que você só encontra nos Jogos Abertos. Dos três, o bolão talvez seja o mais normal. A bocha é, na verdade, uma quilica de adultos. O surgimento do punhobol é um desafio para a humanidade. Quem foi que disse que poderia jogar vôlei usando apenas os punhos?