Meus Exercícios da Oficina de Escrita Criativa

Arista Plástico, Ilustrador e Bacharel em Filosofia | www.errado.net


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A porta

Dizem que nunca nos lembramos de como nossos sonhos começam.  Era exatamente essa a sensação, ali diante daquela porta.

– Como diabos eu vi parar aqui?

A cabeça ainda doía e o chão não parava de girar. E como um cego tateando no escuro, eu procurei por uma maçaneta.  A porta, lisa como as paredes, se diferenciava apenas pela distância que ficava do chão e do teto. Uns poucos milímetros que deixavam o ar circular.

De repente, com um pouco de pressão, ela cedeu com um discreto “claque”. Silenciosa, deslizou para dentro da parede como em filmes de ficção científica.

Do outro lado apenas um infinito e vazio corredor branco com infinitas portas iguais e a minha única certeza: a de que o pesadelo estava apenas começando.

***

Primeiro exercício da Oficina de Escrita Criativa, que aconteceu no SESC de Blumenau neste mês de Agosto. O Objetivo do exercício era desenvolver um pequeno texto seguindo uma ideia já determinada pelo professor, que era: um personagem que se vê trancado num quarto branco, com uma única porta também branca.

 


Rotina

O ônibus estava atrasado, o que não era nenhuma novidade, a história se repetia diariamente e já fazia parte do senso comum.  A novidade estava em Alberto, dez minutos mais cedo no ponto de ônibus,  pela primeira vez na vida, não tomou seu café da manhã.  Café era sagrado, mas lembrando do que o médico lhe disse ontem:

– Reduz o café que teu coração volta a bater num ritmo normal – Alberto, decidiu que viver era mais importante.

Ele sorria no ponto apesar do sono, as demais pessoas, irritadas, reclamavam das mesmas coisas que reclamaram ontem e antes de ontem.

– É uma vergonha!  – disse uma senhora, mas Alberto não achou que fosse com ele e continuou sorrindo sozinho, com a promessa de uma saúde melhor.

– Faça exercícios – disse também o médico.  

Alberto pensava na academia ao lado da empresa. Passaria lá no final do expediente. Estava feliz, tinha um motivo real para frequenta-la, além da ideia de se aproximar de Wanda, a moça do RH, que não gostava de café.

No começo os sentimentos eram confusos.

– Como assim,  não gosta de café?  – ele se perguntava.

– É uma vergonha sem fim – disse a senhora novamente.

– É verdade – concordou Alberto, mas sem o sorriso. Agora sentia falta do café. A quebra da rotina era uma heresia.

O ônibus estava muito atrasado. Talvez desse tempo de passar em casa e tomar só uma xícara. A academia já não era tão brilhante em sua imaginação.  Wanda agora era uma pessoa comum, dessas que não gostam de café.

– Dá tempo de ir em casa e tomar um café.  – ele disse. A senhora ao lado concordou.

Mas, com vinte minutos de atraso, o ônibus chegou, deixando o café no desejo, na saudade e trazendo novamente a academia como meta e Wanda para a esperança de Alberto.

***

Segundo exercício da Oficina de Escrita Criativa, que aconteceu no SESC de Blumenau neste mês de Agosto. O Objetivo do exercício era apenas escrever uma história, com começo, meio e fim, sem parar para pensar e fazer correções ou ajustes. Apenas deixar o texto fluir com a imaginação.