O CLÃ DA ÁRVORE – PARTE 3 DE 4

Jornalista





Manifesto do Clã da Árvore

Por alguns breves momentos nos deixamos despencar da realidade, imposta pelos meios e sociedade, para fora do sistema. Num paradoxo, nosso corpo se perde em meio ao caos enquanto nossa consciência compreende toda a desordem.
Nosso enxergar está fora. Vemos tudo de cima. Nosso olhos são privilegiados. Analisamos tudo conscientemente. Porém, esses poucos e breves momentos nos colocam a prova para desafiar-mo-nos à capacidade de permanecer ali sem que nossos corpos sejam repelidos pelo fatídico destino daqueles que se opõe ao tumor que adoece a humanidade.
Somos donos de nós mesmos e com a vantagem de poder ver como funcionam os mecanismos selvagens sociais. O ódio das pessoas, sua incredulidade, sua mesquinharia, sua ambição. Vemos como são coadjuvantes de todo um sistema capitalistas e sem escrúpulos.
Acredito que esse sistema não seja o único responsável por todo este caos; é ele sim quem apaga as luzes da razão e cega a todos com a complexidade de seus infinitos sistemas. A televisão, o rádio, os jornais, a publicidade, a criação ilusória de uma possível realização de um sonho! A satisfação material ou o sacrifício que nos proporcionará uma recompensa espiritual!
É tudo falso!
Quanto mais “sonhos” realizamos, mais “sonhos” nos vendem. Queremos sempre mais para sermos felizes, as vezes justificamos nossa tristeza só pelo fato de não alcançarmos o que desejamos, quase sempre, um objectivo sem valor. É o fatídico símbolo das duas cobras que se engolem. Sem saber, as pessoas se tornam egoístas, culpa do tempo que nos tenta.
Aos poucos que conseguem fugir desta manipulação social e criar uma ruptura, olhando para baixo e vendo o maniqueísmo da sociedade, cabe a tarefa de criar novas formas para provocar o questionamento.
Não por manifestações violentas, embora querer possibilitar a consciencialização através do próprio questionamento possa causar um retorno com violência. Todo o processo deve ser aplicado em um lento trabalho, como uma árvore que cresce por gerações dentro de uma cidade sem ser notada pelos alienados “cidadãos”.
O uso de mensagens em locais deficientes do sistema é uma primeira etapa deste primeiro ato. Porém, faz-se necessário que esta utopia seja real. Que ela seja então o sonho que buscamos realizar, e que acreditamos que vá se realizar. Um sonho desejado há milénios.
Só por ter de enfrentar a lei para podermos existir nos impossibilita de agir dentro dela. Nesse caso é preciso ser o mais sutil possível. Aplicaremos uma mensagem avassaladora e – ao invés de romper bruscamente com os paradigmas e impor novas ideias para o já concretado pelos séculos – através dela s adentraremos nestes dogmas, e desta forma criaremos um novo caminho sem conflitar os conservadorismos e padrões que muitas vezes nem mesmo percebemos que possuímos.
É claro que uma vez percebidos pelo sistema, inimigos seremos declarados, e como a dicotomia do ocidente ordena, seremos os maus, e o bem terá de triunfar, nem que para isso, necessitem se tornar o lado mau da história.
No entanto, temos a vantagem de estar menos favorecidos que outros, que possuem as ferramentas do sistema. Por enquanto somos pensadores com um ideal revolucionário e um propósito real. Não podemos nos deixar abater pelas dificuldade que serão enfrentadas ao questionar um planeta de pessoas inconscientes.
Trazemos uma nova UTOPIA! A REVOLUÇÃO PELAS PALAVRAS!
Somos senhores de nossas próprias criações. Somos senhores de nossos próprios pensamentos. Deitamos nossa honra para todos dos quais abstraímos conhecimento necessário para a criação de nossa utopia, e com a base de argumentos que nos fortaleceram, nos preparamos para descobrir nossa própria filosofia de vida. E assim nasce o Clã da Árvore.
Dos gregos aos revolucionários, dos protestantes de Lutero aos movimentos Anarquistas, dos socialistas aos comunistas, dos clowns aos artistas marginais e das infinitas ações individuais e de pequenos grupos que buscam este sonho, aprendemos a enxergar.
Pisamos em cima e sufocamos ideais contra a vida se motivada por uma ideologia egoísta, doentia e cega. Regurgitamos nosso desrespeito ao nazismo e todas suas ideologias. Desmerecemos todos os seus frutos. Entretanto, respeitamos os inúmeros estudiosos e pensadores como Darwin em sua Teoria da Evolução com a Origem das Espécies.
Embora acreditemos no nascimento e morte da razão da raça humana, lutamos por um mundo justo, livre da ganância que fatalmente levará a espécie a extinção.
Não fazemos qualquer pregação.
Intensificamos que não somos profetas do Apocalipse, terroristas, ou outro substantivo qualquer que sirva para nos definir, somos apenas cidadãos em busca de nosso papel na sociedade.
No momento em que se escreve este manifesto digo estar preparado para suportar as dificuldades e consequências ao deixar de ser ignorante e passar a ter uma vida mais racional.
E desta forma estamos dispostos a enfrentar e sacrificar sonhos materiais, embora conquistá-los seja preciso. Não podemos estar à margem, devemos estar inseridos, e usar como armas os meios que o sistema nos podem proporcionar.
Devemos ser um exército invisível e ser apenas o acontecer.
Ainda é cedo para pensar em resultados prósperos. Temos que trilhar um caminho para fora do sistema e levar conosco todos aqueles que estiverem dispostos a desvendar os olhos, e isso pode demorar. E quando estivermos fora, poderemos deflorar nossos galhos para fora desta redoma de vidro que nos prende e assim abraçaremos todo um sistema, imunes a seus ataques.
Se nossos planos derem certo, como acreditamos que darão, sairemos vitoriosos.
O Clã da Árvore planta uma semente na sociedade. Trabalharemos para que ela tenha raízes fortes e que cresça pura como nasceu, sem sofrer às influências do sistema.
Em breve seremos uma Árvore fortificada pelo seu imenso caule. Nas suas copas viverão os membros do Clã da Árvore. Inalcansável para os que não acreditam nesta verdade.