Par

Arista Plástico, Ilustrador e Bacharel em Filosofia | www.errado.net


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Eu contei os passos até em casa, eram exatamente o dobro da quantidade de livros na estante dela e havia menos estrelas no céu daquela noite tão ímpar.

Foram vinte minutos de silêncio a mais do que a metade da conversa jogada fora.

– Onze e quinze – ela disse – acho que você deve ir agora.

O elevador só descia até o segundo.

No ponto, me dei conta de que já havia perdido o das onze.

– Você é único – ela disse uma vez. Na nossa primeira vez. Mas não somos mais um par.

Agora em casa, dividido, penso na segunda. A semana vai começar vazia. Penso na sucessão de erros, a soma de infortúnios, resultando num estado tão fragmentado.

Não posso mais contar com ela.

***