Rocha

Arista Plástico, Ilustrador e Bacharel em Filosofia | www.errado.net





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Eu sou uma rocha. Sou estático mas não perene. O tempo me transforma lentamente, me desgasta. Mas não me esgoto em essência enquanto viro pó.

Em volta, o mundo se arrasta em ondas. Violento, se arremessa de lá para cá e me atinge pelas costas com um golpe de escárnio.

– Saia de meu caminho! – Eles ordenam.

– Não! – Eu respondo, imóvel.

Então, eles me contornam e me atropelam. Seguem, sem rumo, para algum lugar com a maré. Escravos das forças das massas. Eu só observo, imóvel. Cedo ou tarde eles voltarão com o refluxo, a tendência antiga que se refaz, um ciclo interminável.

Novamente, com violência, me atingem. Desta vez eu quebro. Partido ao meio, eu ainda sou rocha. Menor. Mas em dois lugares ao mesmo tempo. A parte menor se arrasta, se deixa levar pela maré. Viaja e contempla a areia. Meu futuro como pó.

Me fragmento em grãos. Estou em diversos lugares agora. Ainda somos rocha. Pequenas e espalhadas, misturadas com tantas outras num só corpo, estático mas não perene. O tempo nos transforma lentamente.