Sonhos Eróticos

Arista Plástico, Ilustrador e Bacharel em Filosofia | www.errado.net


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Sonhos, versados em travesseiros onde nunca repousamos nossas mentes. Na cama onde nunca fechamos os olhos. Sonhos transpirados em suor que não nos escorreu. Lágrimas que jamais foram choradas, como a chuva que nunca choveu.

Dispersos em meio a manhã em que não acordamos, desejos escondidos em olhares que nada dizem, como vultos moribundos, vagando de quarto em quarto, sem abrir as janelas.

Sombras pálidas estampam rostos tristes no café da manhã. Nuvens que nada formam, nada lembram além do frio que não vai embora.

Um banho lento, onde a água parece corroer a carne. Um ácido cuspido por sua boca. Doce como a dor mais aguda. Amargo como a curva mais fechada. Tão sem sabor como o beijo que nunca demos.

No espelho, a visão quase cega de um tolo. A face mal cuidada. A lua ignorada. Como rios, que não chegam, secos com a vida morta.

O vapor ocultando a verdade. Segue o caminho como quem ainda está por aí, por alguma coisa que talvez venha valer a pena. Força o sorriso, como as imagens que não deixam dormir nem o mais cético dos cegos.

Arrastando as costas no ar, como quem voa devagar, inutilmente tentando alcançar uma forma livre de sonhar. Ao chegar, olha nos olhos e lembra de olhos cuja cor não sabe identificar, pois não saberia dizer se foi triste ou foi sonhado aquele olhar rejeitado pelo medo de amar novamente.

Entre a descrença e a fatídica falta de desejos, oscilando em mares de dúvidas. Agarra-se ao lençol como quem nunca despertou. Na tentativa de não morrer em sonho, desperta no frio da manhã que não lhe quer mais.

Veja o travesseiro encharcado. O sangue ainda quente exalando a ferrugem paralítica da anêmica vontade de voltar a sonhar. Deita a cabeça e espera a morte voltar.

Espera a morte voltar. Espera o sonho terminar…